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Publicado em: 11/05/2018

​A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA PARA A FORMAÇÃO INTEGRAL DA CRIANÇA NA PRIMEIRA INFÂNCIA

A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA PARA A FORMAÇÃO INTEGRAL DA CRIANÇA NA PRIMEIRA INFÂNCIA A história da humanidade nos mostra que a música começa juntamente com a história do homem. Desde a pré-história, é bem provável que o homem observava os sons da natureza, dos animais e os imitava, buscando se comunicar e produzir atividades que se baseassem na organização dos sons. Existem registros de instrumentos musicais feitos 40.000 A.C, como a flauta de Divje Babe feita com um osso de animal e descoberta em uma caverna na Eslovênia. O homem já tentava criar suas próprias melodias e ritmos já na pré-história. Conforme dados antropológicos, as primeiras músicas foram utilizadas em rituais como nascimento, festas de casamento, funerais, rituais religiosos, etc. A música expandiu-se ao longo dos anos e atualmente, não há conhecimento de alguma civilização que não tenha sua própria música. A especialista argentina especializada em psicopedagógia musical Violeta Gainza (1988, p.22) destaca: “A música e o som, enquanto energia, estimulam o movimento interno e externo do homem; impulsionando a ação e promovendo nele uma multiplicidade de condutas de diferentes qualidades e graus”. A música se tornou uma linguagem universal que une as pessoas, que faz parte da identidade cultural de cada povo, uma forma de comunicar, de celebrar, é capaz de influenciar nossas emoções, imprimir fatos em nossa memória, nossos pensamentos e nos trazer sensações de bem-estar. O famoso filósofo da Grécia Antiga, Platão, em sua obra “República” disse: “Deixem-me compor as músicas de um país e não me preocuparei com quem faça suas leis”. Isso demonstra o quanto em sua visão, ele considerava a música poderosa para influenciar a sociedade.  A verdade, é que sem dúvida a música que escutamos fala muito sobre quem somos. Há muito tempo, pesquisadores estudam sobre a influência da música nas atividades cerebrais. Estudos comprovados, como a pesquisa realizada pela Universidade de Vermont nos EUA provaram que as crianças que estudavam música desde a infância apresentaram ganhos positivos e duradouros em relação ao desenvolvimento cerebral. Os estudos afirmaram que estudar música melhora as funções executivas do cérebro, responsáveis por habilidades como memória, controle de atenção, organização e planejamento do futuro. Isso acontece porque praticar música, como tocar um instrumento musical, envolve foco e disciplina, além de utilizar a coordenação das mãos, senso rítmico, estímulo visual e auditivo.  A música também ativa o neurotransmissor do prazer no cérebro, a dopamina. Isso ajuda a explicar porque a música sempre fez parte da vida das pessoas e é muito utilizada em festas, em filmes e pelo marketing. Além de contribuir para o bem-estar do ser humano, a música pode ajudar a melhorar o funcionamento do nosso cérebro, principalmente quando praticamos música com regularidade. A Neurociência comprova que o cérebro pode mudar sua própria estrutura, através dos pensamentos e atividades estimulantes. O cérebro é vulnerável às influências externas e pode ser exercitado como se fosse um músculo. O fato é que a música nos envolve em diversos níveis e através de sua prática, desenvolvemos habilidades motoras, cognitivas e linguísticas. Todos podem desenvolver a inteligência musical, desde que tenham contato com a música de forma agradável e pratique bastante. Isso foi comprovado pelo famoso psicólogo cognitivo educacional Howard Garden, em sua Teoria das Inteligências Multiplas. https://pt.wikipedia.org/wiki/Howard_Gardner A música pode fortalecer áreas importantes nos primeiros anos de vida, quando a neuroplasticidade (capacidade do cérebro de modificar sua estrutura e função através de experiências anteriores) é maior, mas é preciso salientar que a plasticidade continua na fase adulta. Nunca é tarde para praticar música. Ao aprender a tocar um instrumento musical por exemplo, estamos exercitando nossas habilidades mentais, refinando nossa capacidade de ouvir e desenvolvendo o controle motor fino, o que ajudará na firmeza de equilíbrio e na mobilidade. Ou seja, desenvolvendo essa nova habilidade, programaremos nosso cérebro para envelhecer em melhores condições. A música está acessível a todos, não importa a idade. Aliás, quanto antes começar, melhor. MÚSICA PARA ESTIMULAR AS HABILIDADES DA CRIANÇA As crianças desde bem pequenas, demonstram um interesse natural pela música. De maneira geral, expressam suas emoções com maior facilidade através da música do que pelas palavras. Através desta linguagem tão atraente, podemos utilizá-la como uma ferramenta poderosa para ampliação do desenvolvimento cognitivo, motor e emocional das crianças. O famoso epistemólogo suíço Jean Piaget em suas pesquisas sobre a construção do conhecimento pela criança, nos prova o quanto é necessário a afetividade para oferecer a energia e disposição para desejar aprender. Por outro lado, a inteligência fornece a estrutura da ação para a construção da aprendizagem. Ou seja, para que a criança queira aprender é necessário estar motivada, em um ambiente que favoreça seu desenvolvimento afetivo. A música geralmente atrai crianças de todas as idades, pois é uma linguagem que elas logo se identificam, visto que a partir do quinto mês de vida uterina, o bebê já entra em contato com o mundo sonoro e ao nascer, nos primeiros dias de vida, muitos já são acalentados e embalados ao som das cantigas de ninar, com grande carga de afeto ente o adulto e a criança. Edgar Willems, grande pioneiro da educação musical em sua metodologia, pontuava que o desenvolvimento da linguagem musical ocorre da mesma maneira que a linguagem materna. Todo conhecimento em seu método, deve partir da atividade prática, chegando à abstração do conhecimento teórico. Essas atividades têm como base a canção de todo o processo de manifestação musical. Antes de aprender a tocar um instrumento musical, é importante a prática musical do canto, pois quando cantamos, estamos desenvolvendo nossa percepção auditiva, nosso ouvido musical. De acordo com Elvira Drummond (2005) o canto é a mais completa forma de manifestação musical, visto que abraça os três elementos construtivos da linguagem: ritmo, melodia e harmonia. Segundo Willems, o ritmo está relacionado ao aspecto fisiológico do ser humano; a melodia ao afetivo e a harmonia, ao intelectual. Esse processo musical é chamado de musicalização infantil, que são propostas que tem como objetivo principal, contribuir com o desenvolvimento global da criança, onde ela terá a oportunidade de vivenciar a linguagem musical através de brincadeiras, jogos musicais, histórias,  em um espaço de sensibilização, onde ela poderá construir seu próprio conhecimento, através de práticas e reflexões musicais. A música globaliza naturalmente os aspectos do desenvolvimento infantil: afetivo/social, cognitivo/linguístico e psicomotor. Todos estes aspectos do desenvolvimento estão interligados e a aprendizagem só será possível se houver a maturação e organização neurológica. Para que isso aconteça, são necessários estímulos externos que são captados pelos nossos sentidos. Depois de transformados em impulsos eletroquímicos, os estímulos passam das células nervosas receptoras para o Sistema Nervoso Central, onde os impulsos são redirecionados para áreas distintas do cérebro, nas quais são decodificados e interpretados . Portanto, os estímulos externos que causam as chamadas percepções sensoriais são de extrema importância para o desenvolvimento, principalmente na infância. Quanto mais aprimorar suas percepções, mais estará desenvolvendo ampliando seu repertório de mundo e consequentemente,  a inteligência. Segundo Piaget: “a própria criança abre a porta para o mundo exterior”. Ou seja, conforme ela vai recebendo estímulos através de diversas experiência musicais, respeitando sempre os interesses e necessidades da criança, ela vai construindo seu conhecimento, de forma agradável. Ao proporcionar um espaço onde à criança possa se expressar e  interagir de forma lúdica, estaremos proporcionando condições para que a criança se sinta estimulada em querer se apropriar da linguagem musical. A música é um processo muito dinâmico porque envolve canto, audição, movimento, sons do corpo, melodia, ritmo, apreciação musical, ou seja, oferece muitas percepções sensoriais. Através de tantas atividades variadas, que oferecem estímulos com diferentes coordenações, estamos potencializando o desenvolvimento das crianças nas áreas afetivo-social, psicomotora e cognitivo- linguístico. Através de atividades coletivas, a criança vai formando sua identidade, aprende a se relacionar e a cooperar com os demais. Brincadeiras, rimas e cantigas de roda, por exemplo, são atividades que promovem um grande estímulo no cérebro, pois necessitam de diferentes coordenações. É necessário cantar, dançar, sincronizar o movimento para a roda girar no andamento adequado, prestar atenção nos comandos sugeridos durante a canção, além da parceria entre todos os amigos que estão brincando e se socializando. Desta forma, a criança exercita sua criatividade e imaginação, sua desinibição e aprende também a respeitar as regras do jogo e a cooperar, além de apresentar á criança valores culturais do seu meio. São atividades essenciais, inclusive para a aquisição da fala e preparam a criança para a escrita. A professora de música da Universidade Federal do Ceará, Elvira Drummond, destaca o espaço lúdico como propulsor da criação: “É, portanto, entre o real e o imaginário que o artista e a criança transitam em suas atividades, o que nos sugere o trocadilho: a arte é o brinquedo do artista e a brincadeira é a arte da criança”. As atividades de musicalização que exploram o universo sonoro também fazem parte da rotina, pois trabalham o foco, a atenção, a análise para os fenômenos sonoros, desenvolvendo a capacidade auditiva de analisar e selecionar sons diversos e contribuindo para o ajuste social da criança. Uma das estratégias são as histórias sonorizadas, onde podemos retratar sonoramente os ambientes familiares das crianças, como sons do campo, da praia, de instrumentos musicais, etc. O professor pode utilizar tanto a própria voz para fazer os sons, como também pode sonorizar com instrumentos musicais, objetos sonoros ou o próprio som do personagem previamente gravado em um cd. As crianças também podem fazer sonoplastia da história ou de uma canção, com os mesmos objetos, desenvolvendo assim a imaginação e pesquisa de diversos timbres (som que ouvimos) e através deste, os outros parâmetros da linguagem musical podem ser explorados em seguida, tornando para a criança o mundo sonoro rico e cheio de detalhes. A criança que ouve bem, terá facilidade para aprender em qualquer área e caso for aprender a tocar um instrumento musical, terá muito mais facilidade para entender uma partitura, pois já terá vivenciado as características próprias do som, através de brincadeiras e jogos musicais. O psicanalista e educador Rubens Alves sintetiza com maestria o que foi dito acima: “Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes".   MÚSICA PARA O DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR A neurocientista Viviane Louro,  em seu livro Fundamentos da aprendizagem musical da pessoa com deficiência afirma que: “Os princípios básicos da psicomotricidade estão implícitos em cada item da aprendizagem musical, seja teórica ou prática. Para que se possa tocar ao piano, serão necessárias firmes noções de espacialidade e temporalidade, bem como lateralizarão definida. Faltando qualquer desses pré-requisitos, o aluno enfrentará muitas dificuldades no aprendizado.” Nas aulas de musicalização, utilizando brincadeiras e canções próprias á faixa etária onde  o aluno terá a oportunidade de vivenciar o corpo corretamente, explorará o espaço ao redor, experimentará diferentes movimentos locomotores, o que contribuirá para o desenvolvimento natural das funções neuropsicomotoras. Instrumentos musicais também são muito utilizados nas aulas de música, seja em histórias onde estes são apresentados, trazidos pelos professores ou construídos por eles com materiais recicláveis, estimulando assim o interesse das crianças pelas pesquisas sonoras de diversos materiais e relacionando os princípios acústicos com os elementos fundamentais do som. Os mais utilizados na primeira infância, geralmente são os de pequena percussão (tambores, guizos, clavas, chocalhos...), pois são leves, fáceis de manusear e perfeitos para se trabalhar o desenvolvimento psicomotor. Essas atividades fazem com que a criança desenvolva sua habilidade motora e seu desenvolvimento rítmico, que tem papel fundamental na formação e equilíbrio do sistema nervoso. Ao praticar um movimento adaptado a um ritmo, a criança pratica diversas coordenações como dançar/cantar, cantar/fazer gestos, tocar/cantar, tocar/cantar/dançar, etc., desenvolvendo habilidades que auxiliarão a criança em diversas outras áreas, além da musical. É de extrema importância oferecer um currículo às crianças que tenha destaque em atividades que propiciem o desenvolvimento perceptivo-motor e sócio emocional como aspecto básico da linguagem nas diversas formas, pois com o avanço feminino sobre o mercado de trabalho, as crianças ficam cada vez mais cedo nas escolas e a família hoje, tem menos condições de suprir todas as necessidades da criança. A música pode ser considerada um agente facilitador do processo educacional. É essencial que o educador musical tenha  conhecimento dos princípios fundamentais da música como nível pedagógico e também estudo profundo sobre o desenvolvimento infantil, para que este possa oferecer a música de forma adequada, com graduação de estímulos, para beneficiar o bem-estar e o desenvolvimento dos alunos, inclusive para as crianças que possuem necessidades especiais. Portanto, as brincadeiras musicais são de suma importância para o desenvolvimento infantil e a partir das vivências musicais, o pensamento infantil vai se organizando e seu conhecimento vai se desenvolvendo. Por volta dos 4-5 anos, as crianças já são capazes de tocar arranjos mais elaborados, com divisão de naipes. Essa vivência é muito importante, pois ela aprende a esperar a sua vez, a vez do outro, tocar em grupo, se concentrar para tocar corretamente e vivenciam na prática, os elementos da linguagem musical que foram aprendidos anteriormente, através de brincadeiras e jogos musicais.   CONCLUSÕES FINAIS A educação musical comprovadamente traz muitos benefícios a longo prazo para a vida das pessoas, portanto é um elemento fundamental para um ser humano melhor, mais equilibrado em sua formação integral. De uma forma divertida, a criança desenvolverá diversas habilidades, auxiliará em sua desinibição e contribuirá para o aumento de sua sensibilidade e autoestima.  Acima de tudo, o eixo norteador da educação musical de qualidade, é desenvolver o gosto pela música, para que esta linguagem se torne companheira e amiga de todas as horas, aquela que se pode contar nos momentos mais difíceis e alegres do ser humano. É este o poder que a música tem!   REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:   NORMAN, Doidge. O cérebro que se transforma. Ed. Record, 2011 DRUMMOND, Elvira. A Tessitura estética dos Brinquedos cantados :Fortaleza, 1988 DRUMMOND, Elvira.  Colorindo sons: Fortaleza, 2005 ALMEIDA, Berenice de. Encontros musicais: São Paulo, 2009 BRITO, T. A Koellreutter Educador - O ser humano como objetivo da educação musical. São Paulo: Peirópolis, 2001 BRITO, T.A. Música na Educação Infantil: Propostas para a formação integral da criança. São Paulo: Peirópolis, 2003 BARRETO, Sidirley de Jesus. Psicomotricidade: educação e reeducação. 2. ed. Blumenau: Acadêmica, 2000. BRÉSCIA, Vera Lúcia Pessagno. Educação Musical: bases psicológicas e ação preventiva. São Paulo: Átomo, 2003. CAMPBELL, Linda; CAMPBELL, Bruce; DICKINSON, Dee . Ensino e Aprendizagem por meio das Inteligências Múltiplas. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2000. GAINZA, Violeta Hemsy de. Estudos de Psicopedagogia Musical. 3. ed. São Paulo: Summus, 1988. GARDNER, Howard. Inteligências Múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. GREGORI, Maria Lúcia P. Música e Yoga Transformando sua Vida. Rio de Janeiro: DP&A, 1997. SUZIGAN, Geraldo de Oliveira; SUZIGAN, Maria Lúcia Cruz: Educação Musical: um fator preponderante na construção do ser: São Paulo 1986 ALVES, Rubem. Quando eu era menino. Campinas-SP: Papirus, 2003 LOURO, Viviane. Fundamentos da aprendizagem musical da pessoa com deficiência: São Paulo, 2012 WEIGEL, Anna Maria Gonçalves. Brincando de Música: Experiências com Sons, Ritmos, Música e Movimentos na Pré-Escola. Porto Alegre: Kuarup, 1988. PIMENTA, D. C. O Desenvolvimento da Psicomotricidade- Educação Psicomotora e desenvolvimento. Módulo II. Curso de Pós-Graduação Latu Sensu. Instituto A Vez do Mestre, 2007. Quer ficar sabendo de todas as NOTÍCIAS em primeira mão?!!! Se cadastre em nossa lista de email: https://www.cantinhodamusica.com.br/newsletters/cadastro Gostaria de aprender mais?!   Então acesse AGORA e confira nossos CURSOS ONLINE! CURSO ONLINE 1: + de 300 propostas - Musicalização Infantil e Técnica de Contação de histárias de 2 a 10 anos CURSO ONLINE 2: Musicalização na Educação Infantil   Sobre a autora: Débora Munhoz Barboni, leciona como professora de música desde 1999.  Atualmente trabalha no Colégio Visconde de Porto Seguro em São Paulo. Possui formação acadêmica em Artes e, Pós-Graduação em Educação Infantil e Psicopedagogia. Deu entrevistas para a revistas como: Pais&Filhos e Iberian Neurocience, além de escrever artigos para Nestlé e sites como Pediatra Online. Ministra diversas palestras e cursos de formação para professores da educação infantil e fundamental I (sempre abordando a temática da importância musical no desenvolvimento integral da criança desde cedo). Possui uma página no Facebook, um site próprio e um canal no YouTube chamados “Cantinho da Música” e cursos online. É autora de materiais sobre Musicalização infantil: CD-Vai começar 1, CD-Brincando e Aprendendo com a Música vol. 1 e 2, CD-Canções para Brincar, Guia Prático com músicas, partituras e orientação didáticas.  


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Publicado em: 19/11/2017

Tudo o que você quis saber sobre MUSICALIZAÇÃO INFANTIL

Tudo o que você quis saber sobre MUSICALIZAÇÃO INFANTIL para bebês Hoje teremos um assunto que interessam à muitas famílias e educadores: musicalização infantil para bebês. Estudos mostram o quanto os bebês demonstram uma aptidão musical muito grande e o quanto eles se envolvem com as atividades propostas nas aulas, desenvolvendo habilidades cognitivas, motoras e emocionais através da música.  Selecionei 5 perguntas importantes sobre o assunto:   Musicalização para bebês   1. Porque apresentar a música para a criança desde cedo?   Porque a música tem o poder de atrair e captar a atenção necessária para que a criança queira interagir com as propostas, sejam elas com o objetivo de trazer um momento de afeto entre o adulto e a criança (desenvolvimento emocional) ou para estimular os aspectos cognitivos e motores. Estudos mostram que quando o bebê nasce ele já foi estimulado através dos sons (dentro da barriga da mãe), pois o sistema auditivo está apto para receber informações a partir do quinto mês de vida intrauterina. Nos primeiros meses de vida, as pessoas que cuidam do bebê, geralmente interagem com ele através da música, com brincadeiras e canções que também provavelmente foram significativas para estes adultos na infância, ou seja, estas interações entre o adulto e a criança possuem alto grau de afetividade. Desde muito cedo o bebê cria memórias positivas com essa linguagem. Existem especialistas renomados que comprovaram o poder da música, como o neurologista e neuropediatra Mauro Muszkat da Universidade Federal de São Paulo, que revelou em uma entrevista para o jornal O Estado de São Paulo, que estudos científicos mostram que crianças que praticam música desde cedo de forma contínua e prazerosa, desenvolvem habilidades que vão além das músicas, como maior concentração, aumento positivo da autoestima e desenvolvimento nas funções executivas cerebrais. É importante ter em mente, que o brincar não acontecerá automaticamente sem uma intermediação inicial de um educador, pai, mãe ou outra criança. As primeiras brincadeiras e jogos são construídos na relação com o outro e a criança se desenvolve e se expressa brincando. Na aula de música, a criança vivencia e trabalha diversas coordenações ao mesmo tempo. Cantam, tocam, dançam, ouvem música, brincam com os sons, dramatizam histórias e canções. Brincando com a música, a criança conhece melhor a si mesma, ao outro, os instrumentos musicais, amplia seu repertório de mundo e o ambiente que a cerca. A música também tem o poder de modular nossas emoções, inclusive nas crianças. Quando ouvimos músicas que gostamos, o nosso cérebro produz neurotransmissores (substância química que conduz transmissor de um neurônio para o outro no cérebro) como a dopamina, que traz aquela sensação de prazer e a serotonina, que traz bem-estar e relaxamento. Por isso é uma linguagem tão utilizada nas escolas, porque ela traz uma energia de alegria e entusiasmo que contagia a todos. Mas para que a criança possa usufruir de tantos benefícios, é importante que o professor ofereça um repertório de canções e brincadeiras específicas à faixa etária, além de um espaço seguro e arejado, material sonoro rico e ao mesmo tempo, próprio para ser manipulado sem oferecer perigo ao bebê. 2. A partir de qual idade posso levar meu bebê para as aulas de música?   Quanto antes à criança iniciar nas aulas de musicalização infantil com um especialista, melhor. É aconselhável principalmente a partir dos 8 meses, quando a criança já senta sem apoio e deve ser acompanhada pelo pai ou pela mãe. 3. Quais as atividades geralmente são desenvolvidas em uma aula de música para bebês?   As aulas de música com os bebês geralmente são em grupo, pois um dos objetivos é o desenvolvimento da socialização. Para começar, são utilizadas canções, histórias, jogos com elementos surpresas que tem como o objetivo trazer acolhimento  e para indicar que a aula vai começar de uma forma afetuosa, respeitosa e divertida .  Após a primeira proposta da aula, geralmente os bebês já ficam mais calmos e receptivos as atividades. Logo em seguida, são trabalhadas algumas canções que exploram diferentes interações, como por exemplo, as canções gestuais. Desta forma, o bebê vai aprendendo a relação do gesto e da fala e vai ampliando seu vocabulário e expressividade. Nestas canções, o professor pode utilizar recursos visuais que atraem ainda mais a atenção dos pequeninos, que captam o mundo através de seus sentidos. Pequenas histórias cantadas ou histórias sonorizadas explorando uma temática (explorando sons do corpo, da casa, dos animais e da rua), também podem ser utilizadas, pois estimulam a atenção, a concentração e a percepção auditiva, o chamado “ouvido musical”, que é desenvolvido principalmente até aos 6 anos. Atividades explorando movimentos locomotores (andar, pular, galopar, saltitar) acompanhando diversos andamentos da música (no colo de um adulto ou a própria criança explorando o espaço), brincadeiras de roda, também fazem parte das aulas, pois com o movimento, através de um repertório rico e diversificado, a criança brinca com seu corpo , desenvolve seus aspectos psicomotores e interioriza os ritmos de forma natural, desenvolvendo  a musicalidade, o vínculo afetivo com quem está dançando com ela , sua organização espaço-temporal e sua expressividade . Brincadeiras de colo, jogos musicais com parlendas (brincadeiras com as palavras), atividades em duplas são sempre um momento de diversão, onde a criança interage diretamente com outra criança , ou no  colo do adulto brincando com o som e com o ritmo. As crianças têm a oportunidade de acompanharem as canções com instrumentos musicais (chocalhos, tambores, clavas, sinos, etc.), vivenciando a pulsação e o senso rítmico, intensidade (tocar forte ou fraco), percepção ao estimulo sonoro e o silêncio, lateralidade , tônus, esquema corporal, praxia fina, estimulando as bases psicomotoras que são fundamentais para as futuras aprendizagens que virão, como ler e escrever, por exemplo. O canto (linguagem musical) sempre é a viga-mestra de todo o processo, contribuindo para melhorar a articulação de diversos sons da fala.  Existem também momentos de exploração livre de materiais, objetos sonoros com o objetivo de oferecer a criança o momento de pesquisar os sons livremente ,sem interevenção de um adulto, que observa atento com o objetivo de conhecer ainda mais seu aluno, seus interesses, necessidades, pensamentos e pesquisas. Depois de tanto estímulo e tantas atividades divertidas, as crianças necessitam de um momento de relaxamento, que pode ser uma história para trazer a calma, a escuta de sons relaxantes, ou uma propósta de relaxamento onde acompanhados por uma música apropriada, recebem carinho do adulto, com instrumentos de massagem ou com materiais sensoriais. Ou seja, em uma aula de geralmente 30-45  minutos, o bebê é estimulado com diversas atividades através de seus sentidos e de forma lúdica.  É importante enfatizar, que utilizamos a brincadeira porque é através dela que a criança se expressa, se comunica naturalmente e se interessa pelas propóstas, porém todos os tópicos da aula tem conteúdos com o objetivo de ajudar a criança a desenvolver sua inteligência musical e em seus aspectos motores, cognitivos e afetivos.  4. Hoje, a maioria das escolas apresentam aula de música no currículo escolar. Qual a vantagem de matricular a criança em uma escola de música?   Felizmente as escolas da Educação Infantil na sua grande maioria apresentam um currículo musical e isso é maravilhoso, pois a música tem este poder de trazer mais alegria, diversão, entusiasmo e muita aprendizagem através dela. A grande vantagem de também matricular a criança em uma escola de música, é que geralmente um familiar pode acompanhar essas aulas e acompanhar as reações, as interações e aprendizagens do bebê, além de seus progressos nas atividades propostas. Depois de cada aula, é comum os pais relatarem que seus filhos reproduzem as atividades em casa em alguns momentos. O familiar que vivenciou a aula poderá praticar as brincadeiras e repertórios de canções aprendidas, motivando seus filhos com a música desde cedo, de forma prazerosa e lúdica. 5. Quais os benefícios da música a longo prazo?   Quem vivencia música desde pequeno, através de experiências de qualidade, se torna um adulto mais seletivo, com maior discernimento para escolher seu repertório musical e isso é muito importante, porque cada música faz parte de uma cultura, que pode influenciar no comportamento e na vida das pessoas. Além disso, poderá utilizar essa linguagem de forma saudável para descarregar o stress do dia-a-dia. A música, como nos envolve em nossas emoções, na razão e no nosso corpo, estimula muitas áreas cerebrais, trazendo muitos benefícios inclusive às crianças especiais. A música faz bem para qualquer idade, então é bom que comecemos desde cedo, brincando e aprendendo, contribuindo assim para que a criança, além de desenvolver-se integralmente, tenha uma vida mais plena e feliz.     Veja na prática uma proposta para esta faixa etária:  https://www.cantinhodamusica.com.br/...../musicalizacao_para_bebes_roda_de_cancoes.html   Quer ficar sabendo de todas as NOTÍCIAS em primeira mão?!!! Se cadastre em nossa lista de email: https://www.cantinhodamusica.com.br/newsletters/cadastro Gostaria de aprender mais?!   Então acesse AGORA e confira nossos CURSOS ONLINE! 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É autora de materiais sobre Musicalização infantil: CD-Vai começar 1, CD-Brincando e Aprendendo com a Música vol. 1 e 2, CD-Canções para Brincar, Guia Prático com músicas, partituras e orientação didáticas.    


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Publicado em: 22/10/2017

Histórias utilizando as mãos para crianças pequenas

A criança é um ser em pleno desenvolvimento. Tudo que ela vivência hoje, fará diferença na forma como ela enxergará o mundo amanhã. A Neurociências (conjunto de ciências que estudam como podemos aprender de forma mais eficaz) cita a primeira infância como a “fase de ouro”, onde o cérebro aprende e apreende em uma velocidade fantástica. Porém essa aprendizagem é uma construção. A criança percorre etapas que devem ser respeitadas e trazem pré-requisitos que a capacitam para lidar com situações, conflitos, aprender novas habilidades, etc. Porém para aprender, é preciso querer e as histórias são ferramentas poderosas para trazer a motivação e ajudar a criança no seu desenvolvimento. Com crianças de 1 a 3 anos, as narrativas devem ser curtas, pois as crianças nesta fase não possuem uma concentração tão longa e ao mesmo tempo não compreendem um enredo muito complexo. Os assuntos mais interessantes são cenas cotidianas da criança, como família, elementos da natureza como a chuva, o sol, animais como cachorrinho, pintinho, etc. Histórias utilizando dedinhos são simples porém muito ricas para esta faixa etária, pois possuem um enredo com começo, meio e fim, tem compreensão bem fácil, trabalha a musicalidade da nossa fala com rimas e melodias e permite com que a criança memorize, e conte a narrativa utilizando os gestos, que é o precursor da fala. Logo, brincando a criança amplia seu vocabulário de uma forma natural, amplia sua concentração, além de ampliar seu contato afetivo com o contador, que pode ser o pai, a mãe, o avô, a babá, a professora, etc. Muitas vezes queremos estimular as crianças com muitos brinquedos, porém temos que levar em conta que para a criança menos é mais. O importante é fornecer o estímulo adequado, de acordo com os interesses e necessidades da criança pequena. Se prepare para repetir muitas vezes a mesma história, pois a criança gosta de ouvir e pede para contarmos muitas vezes. Repetir histórias, proporciona novas vivências e permite com que ela entenda o todo com uma dimensão especial. Antes de começar, crie um clima para o momento. Desligue celular, TV e dedique um tempo exclusivo para a criança. Você se surpreenderá ao ver depois da contação de histórias, a mesma criança recontando para suas bonecas e para seus amiguinhos. As histórias de mãos têm essas vantagens:   São fáceis de memorizar Só precisam de mãos Podem ser contadas em qualquer lugar Auxiliam o pensamento da criança na medida que ela interage seguindo a narrativa com os gestos Seguem 4 exemplos de histórias de mãos para você utilizar com sua criança, ainda hoje, se quiser: Tommy Seu José e seu Mané Dois Passarinhos Pom Pom Pom quem será?!   Quer ficar sabendo de todas as notícias em primeira mão?!!! Se cadastre e receba brindes exclusivos se cadastrando em nossa lista de email: https://www.cantinhodamusica.com.br/newsletters/cadastro  


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Publicado em: 22/10/2017

​História Interativa Folclórica - Lá no Pantano

História Interativa Folclórica   Lá no Pântano   Uma história bem contada sempre traz diversão e encantamento. Melhor ainda se as crianças puderem interagir com a história, pois este fato oportunizará a participação e integração dos alunos O professor ao escolher a história deve ter sempre claro qual é o objetivo (para que, e porquê) ? A quem vamos dirigir essa proposta? Utilizarei quais recursos? Depois de esclarecidos os objetivos, o grupo forma-se, incluindo pessoas que cantarão, manusearão os fantoches, tocarão instrumentos sonorizando em alguns momentos. Sempre leve em conta também a faixa etária para refletir sobre o que já são capazes de fazer. Geralmente conto a primeira vez a história sozinha, para que as crianças possam entender todo o enredo. O lugar da contação deve estar bem iluminado e perto dos espectadores. Os lugares fechados são os melhores para que as crianças possam se concentrar mais e ouvir melhor a voz do contador da história. Aliás, volume, entonação, clareza, dicção, são requisitos que fazem toda a diferença para trazer “vida” a história. Gosto muito de utilizar fantoches, recursos visuais, pois através deles podemos dar animação, movimento e voz e podem ser utilizados para desenvolver a história ou dialogar com as crianças. Os bonecos são manejados com as mãos e estes se movimentam através dos movimentos de braço. Os fantoches devem se mover como se fossem atores, tendo coordenação, ritmo, escondendo, aparecendo, levantando, subindo, conforme o enredo. Sempre reflita sobre o tema da história, o enredo, o ambiente, os personagens, as cenas e os recursos que você irá utilizar. Quero compartilhar com vocês, uma história que faz o maior sucesso com as crianças de todas as idades. Elas podem interagir tocando, cantando, sonorizando com a voz os sons da história, etc. Se você quer receber mais dicas de como trabalhar a história "Lá no Pantano" clique neste link CLIQUE AQUI, e receba o material exclusivo deste video. Com isso voce também fará parte da minha lista de e-mails, receberá brindes, dicas e saberá em primeira mão quando será o lançamento do meu curso online, que acontecerá em 2018, com o tema: Musicalização Infantil e contação de histórias para crianças de 2 a 8 anos. Será um curso prático onde você vivenciará propostas com o objetivo de ajudar a criança em seu desenvolvimento cognitivo, emocional e motor, através da música e das histórias. Teremos um módulo especial e prático também sobre música e psicomotricidade, além de módulos com conteúdo inéditos e exclusivos para cada faixa etária. O curso também disponibilizará mp3, material de apoio, embasamento teórico das atividades, dicas com fotos dos recursos visuais utilizados, partituras das canções e histórias. Vamos agora assistir a história!   CLIQUE AQUI E RECEBA O MATERIAL EXCLUSIVO DESSE VÍDEO: CLIQUE AQUI Se gostou, curta, compartilhe e deixe seu comentário. Essa atitude me incentiva muito a produzir material para vocês, curtidores do Cantinho da Música. Fanpage: https://www.facebook...homusicalprofDebora/ Site: https://www.cantinhodamusica.com.br Canal: https://www.youtube....93e4IvBDdy0iIvX2yp-g Prof. Débora Munhoz Barboni Formação em Arte com ênfase em Musica, Pós Graduação em Educação Infantil e Psicopedagogia.


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