
Quando nada engaja: O que realmente está por trás de uma aula que “não funciona”? Em muitos contextos educativos, há um padrão silencioso que se repete: A aula está bem planejada, o repertório foi cuidadosamente escolhido, a sequência faz sentido e ainda assim o engajamento não acontece. As crianças estão agitadas, dispersas, desconectadas e diante disso, surge uma tendência comum: ajustar a atividade, aumentar o estímulo, tentar “corrigir” a situação. Mas há uma questão mais profunda que precisa ser considerada: Nem sempre o problema está na proposta. Muitas vezes, está no estado do grupo. Antes da proposta, vem o estado: escuta e observação como ponto de partida Dentro da Abordagem Reggio Emilia, a escuta é central. O professor é visto como um pesquisador, alguém que observa, interpreta e responde ao grupo. Nesse contexto, quando uma aula não engaja, a pergunta se transforma: Não é mais “o que está errado na atividade?” Mas sim: o que o grupo está comunicando neste momento? Crianças agitadas, cansadas ou emocionalmente desorganizadas não estão resistindo à proposta. Elas estão expressando um estado e esse estado precisa ser reconhecido antes de qualquer tentativa de condução. IB PYP: aprendizagem como experiência que depende de prontidão. No IB PYP, falamos sobre aprendizagem significativa, agência e construção ativa do conhecimento. Mas há um elemento fundamental que sustenta tudo isso: a disponibilidade interna para aprender. Sem regulação, não há investigação. Sem organização interna, não há construção de sentido. Isso nos leva a uma mudança essencial: Antes de promover a aprendizagem, é preciso criar condições para que ela aconteça. ISO Principle: encontrar o grupo onde ele está Na musicoterapia, o ISO Principle reforça essa compreensão: - Começar no estado atual da criança e conduzir gradualmente para o estado desejado. Esse princípio dialoga diretamente com a escuta ativa de Reggio e com a intencionalidade do IB. Na prática: - Um grupo agitado precisa de experiências que organizem a energia antes de acalmar; - Um grupo disperso precisa de estrutura antes de foco - Um grupo desconectado precisa de vínculo antes de conteúdo Ou seja, regulação não acontece por imposição. Acontece por sintonia. Orff Schulwerk: corpo, ritmo e experiência como caminho O Orff Schulwerk nos oferece um caminho profundamente coerente com essa visão. Na abordagem Orff: - O corpo é o primeiro instrumento - O ritmo organiza a experiência - O aprendizado acontece pela vivência Antes da abstração, vem a experiência. Antes da explicação, vem o fazer. Isso significa que, em momentos de desorganização do grupo, não é a explicação que reorganiza é a experiência rítmica, corporal e musical. A música como linguagem de regulação e conexão Se pensarmos na música como uma das “cem linguagens da criança”, ela deixa de ser apenas conteúdo e passa a ser um meio de expressão, regulação e conexão. Uma canção pode organizar o corpo, estruturar o tempo, criar previsibilidade, favorecer a interação. Quando utilizada com intencionalidade, a música se torna uma ferramenta de leitura e resposta ao grupo. Do repertório à intencionalidade: música como estratégia pedagógica Um dos deslocamentos mais importantes na prática docente é sair da pergunta: “Qual música vou usar?” para: “Qual função essa música cumpre neste contexto?” Essa mudança está alinhada com: - A escuta e documentação em Reggio - A intencionalidade pedagógica do IB - A vivência estruturada do Orff A música deixa de ser apenas atividade e passa a ser estratégia. “Back pocket songs”: Repertório como ferramenta de escuta ativa Ao longo da prática, muitos educadores desenvolvem um repertório funcional, o que podemos chamar de “back pocket songs”. Essas músicas não são escolhidas apenas pelo conteúdo, mas pela resposta que provocam no grupo. Por exemplo: - Para organizar energia → músicas com pulso e repetição - Para reconectar → chamada e resposta - Para transições → estruturas previsíveis - Para acalmar → padrões suaves e contínuos Esse repertório funciona como uma extensão da escuta do professor. Engajamento começa pelo corpo: uma visão integrada Um ponto comum entre Reggio, IB e Orff é a compreensão de que o aprendizado é integrado. Não é apenas cognitivo. É corporal, emocional e relacional. Antes da atenção, vem o corpo. Antes da investigação, vem a regulação. Quando incorporamos ritmo, movimento e sensorialidade ampliamos a disponibilidade para aprender, fortalecemos a conexão com o grupo, criamos experiências mais significativas Conclusão: Ensinar é escutar, interpretar e conduzir Talvez a maior mudança não esteja nas atividades, mas no olhar do professor. Ao invés de perguntar: “por que não estão engajando?” Podemos perguntar: “o que este grupo precisa agora?” Essa pergunta está no coração de: - Um professor pesquisador (Reggio) - Um educador intencional (IB) - Um facilitador de experiências (Orff) E é ela que transforma a prática. Para refletir Na sua prática:Você começa pela proposta ou pela escuta do grupo? Quer saber mais? Veja um vídeo onde gravei o passo a passo na prática: https://www.youtube..../watch?v=IUfKyps7E1k Conheça o site: www.cantinhodamusica.com.br Instagram: @debora.cantinhodamusica Prof. Débora Munhoz Barboni

Contextualizando a Festa Junina para crianças Olá, tudo bem?! O mês de junho sempre desperta um grande interesse nos professores em trabalhar o tema “Festa Junina”. Tirando o carnaval, é a festa mais comemorada pelos brasileiros. É uma festa que possuem elementos que a tornam muito divertida e dinâmica para diversas faixas etárias, desde crianças a adultos e é celebrada no mês de junho. 1. Elementos principais da festa Bandeirinhas Comidas Típicas (principalmente feitas de milho e amendoim) Roupas Típicas Brincadeiras Musicais Música animada com ritmos brasileiros Principais ritmos brasileiros: Xaxado, Baião, Xote, samba-de-coco e quadrilha 2. Principais Instrumentos Sanfona – Passarinho que som é este? https://www.youtube..../watch?v=myNXZk54Hrc Outros instrumentos musicais muito utilizados em ritmos brasileiros: Zabumba, queixada, pandeiro, triângulo, cavaquinho https://www.youtube....mp;feature=emb_title Já falamos sobre a sanfona. Um dos maiores sanfoneiros, o Rei do Baião: Foi Luiz Gonzaga https://www.youtube..../watch?v=mwFGvGMxotc 3. Asa Branca A música: "Asa Branca" é uma canção que geralmente desperta a atenção e curiosidade das crianças, pois narra a Seca no Nordeste, que obrigava seu povo a migrar para outro lugar, assim como os animais, as aves, entre elas a "Asa Branca". Essa música oferece uma oportunidade de refletirmos sobre a situação atual do Nordeste do Brasil que continua trazendo consequências terríveis para toda a população, como podemos ler nesta reportagem: https://educacao.uol...s-sao-agravantes.htm O trabalho musical com a canção: "Asa Branca" pode ser desenvolvido sob diversas perspectivas. Seguem algumas sugestões: - Uma ambientação sonora inspirada na história e clima da música; - Arranjo com copos de plástico, para o trabalho rítmico com o baião; - Arranjo com divisão de naipes com instrumentos de percussão para acompanhar o "canto"; - Dramatização da história cantada; - Desenho do trecho favorito e mais marcante da canção para a criança; - Criação de uma coreografia em conjunto, etc. Links que valem a pena assistir: Luiz Gonzaga ao vivo: https://www.youtube..../watch?v=zsFSHg2hxbc Homenagem de Hélio Ziskind para Luiz Gonzaga: https://www.youtube..../watch?v=V7i8ntY1zd8 Seca do Nordeste com Asa Branca: https://www.youtube....?v=nQm4uJn0090 Um projeto contextualizado e interativo, permite que a criança participe do processo para aguçar sua percepção em relação aos elementos musicais, com perguntas que despertam a curiosidade. Exemplo: Quais são as palavras desta música que nos inspira uma imagem sonora? Como podemos representá-la? Com som da voz, do corpo, de um instrumento musical ou objeto sonoro? Vamos cantar e aplicar estas sugestões. A BNCC sugere o desenvolvimento da empatia, cooperação e trabalho em grupo, e isso é fundamental para a vida. Ninguém desenvolve algo muito significativo sozinho. Juntos somos sempre mais fortes. Por isso é importante estimular o trabalho em grupo e incentivar a criança a ouvir a ideia do amigo, lidar e respeitar " o diferente ". Durante o projeto, trabalhos em grupos são também bem-vindos. É importante registrar os passos do projeto, pois essa é também uma forma de avaliar e acompanhar todos os progressos de cada aluno, tanto nos aspectos motores, emocionais e cognitivos. Os registros podem ser feitos através de gravações em vídeo, áudio, fotos, etc. Algumas curiosidades sobre a temática, que podem ser trabalhadas e inseridas durante o projeto: - Como já vimos, o Baião é um estilo que nasceu no Nordeste do Brasil. Originou-se da música caipira e das danças indígenas. - Os instrumentos típicos deste estilo são: viola caipira, sanfona, triângulo, acordeom e flauta doce. As letras geralmente falam de alegria, dança, festa, amor e muitas vezes da realidade difícil do povo nordestino, como é o caso de " Asa Branca" (Luís Gonzaga). - As músicas de Luiz Gonzaga são muito tocadas até hoje durante o ano inteiro e não apenas nas festas juninas. O ritmo ficou famoso e chegou a influenciar trabalhos de Gilberto Gil na época do Tropicalismo e de Raul Seixas com o seu Rock'n Roll, o qual ele chamou de "Baioque". Veja neste link, a influência de Luiz Gonzaga até nos dias de hoje: https://g1.globo.com...ga-vai-estar-la.html Saiba mais sobre a história, obra, conquistas e contribuições de Luiz Gonzaga para a Música Popular Brasileira, neste link: https://www.youtube..../watch?v=4R5HG-d-uIk Muitas habilidades são desenvolvidas quando trabalhamos dentro de um projeto alinhado à BNCC: Conhecimento sobre sua cultura, reflexão, expressão corporal, noção de como organizar uma pesquisa, conhecimento de instrumentos musicais, apreciação musical, conhecimento de compositores da MPB, imaginação sonora, noção de conjunto, o canto, concentração, percepção de timbres. Competências gerais trabalhadas: Conhecimento, Repertório cultural, Pensamento científico, crítico e criativo, Comunicação, Cultura Digital, Empatia e Cooperação Vejam que o contexto fica muito mais rico, quando trabalhamos a temática " Festa Junina" dentro de um projeto. Outras canções de Luiz Gonzaga: Xote das meninas: https://www.youtube..../watch?v=YI6Fy-fb9Ms Baião: https://www.youtube..../watch?v=mwFGvGMxotc A volta da Asa Branca: https://www.youtube.com/watch?v=whKGCQiD7iY&t=4s A vida de viajante: https://www.youtube..../watch?v=2G2mDtQWQrk Luar do sertão: https://www.youtube..../watch?v=KhfZnZwBFHM Aliás... E você professor, já iniciou seus ensaios para a Festa Junina? É fundamental e muito mais significativo, contextualizar a festa para criança nesta época do ano. Veja mais em: https://brasilescola...des-festa-junina.htm CURIOSIDADE: O começo da festa junina ao Brasil remonta ao século XVI. As festas juninas eram tradições bastante populares na Península Ibérica (Portugal e Espanha) e, por isso, foram trazidas para cá pelos portugueses durante a colonização, assim como muitas outras tradições. Quando introduzida no Brasil, a festa era conhecida como festa joanina, em referência a São João, mas, ao longo dos anos, teve o nome alterado para festa junina, em referência ao mês no qual ocorre, junho. Inicialmente, a festa possuía um forte tom religioso – conotação essa que se perdeu em parte, uma vez que é vista por muitos mais como uma festividade popular do que religiosa. Além disso, a evolução da festa junina no Brasil fez com que ela se associasse a símbolos típicos das zonas rurais. *** QUER ESTE PDF PRONTINHO? *** CLIQUE AQUI e deixe seu email! Quero te convidar a conhecer meu Instagram profissional, onde compartilho dicas de professor para professor: debora.cantinhodamusica Conheça meu site: www.cantinhodamusica.com.br Abraços musicais! Debora Munhoz Barboni

Possibilidades de trabalho com a cultura indígena na aula de música sem esteriótipos O objetivo de trabalhar a cultura indígena nas aulas de música é fazer a criança conhecer músicas diferentes da sua, ampliando seu repertório de mundo e despertando o respeito e atenção em relação às outras culturas, compreendendo a riqueza e diversidade cultural destes povos. Existem muitas formas de iniciar o trabalho com as crianças. Seguem algumas sugestões: 1. A partir de uma roda de conversa, pergunte a criança o que ela sabe sobre a cultura indígena. Imagens reais podem ser disparadoras de memórias para as crianças. Para captar imagens, veja o site: https://maimuseu.com...://maimuseu.com.br/. Obs: EVAs não devem ser utilizados, pois em nada representam a cultura indígena. 2. A música indígena está ligada a momentos especiais e também a atividades do dia-a-dia da aldeia: para brincar, caçar, pescar, celebrar seus rituais ou para o famoso grito de guerra. Por isso , trabalhe com canções indígenas e para despertar o interesse das crianças, inicie o trabalho com canções de fácil assimilação, de acordo com a faixa etária, explorando sons do corpo, instrumentos musicais indígenas como tambores, diferentes chocalhos, pau de chuva, reco-reco, etc. Conheça o livro com canções indígenas (Outras terras, outros sons (Magda Pucci e Berenice de Almeida): LINK DO LIVRO - CLIQUE AQUI O vídeo abaixo, mostra instrumentos musicais indígenas e seus timbres. Para assisti-lo, CLIQUE AQUI 3. Onde tem música indígena (canto), tem história, mitos que geralmente tentam explicar a origem do mundo, a criação dos homens , o surgimento dos animais na terra. As histórias são entremeadas com músicas, que podem representar as falas de animais ou de seres da floresta. O narrador oficial é o pajé ou o líder da aldeia. Ele costuma sonorizar as histórias imitando o som do riacho, dos animais, do vento, da água. 4. Para trabalhar a cultura indígena, é importante trabalhar a história, a cultura e a música de outros povos indígenas. Este site é o mais completo que conheço sobre o assunto - CLIQUE AQUI 5. A criança aprende mais e melhor , através de uma abordagem ativa, onde ela tocará instrumentos, cantará pequenos trechos de músicas indígenas, dançará, dramatizará e fará a sonorização de histórias indígenas. É importante o professor criar um contexto forte entre as propostas, para trazer engajamento, afinal, sem atenção não há aprendizagem. Através da música indígena, podemos penetrar na cultura de forma mais potente, pois a criança poderá ampliar sua percepção, imaginação e expressão sobre o tema de forma lúdica e interativa, brincando e interagindo com o conteúdo e conhecendo a cultura de forma mais aprofundada. 6. Algumas curiosidades sobre a cultura indígena: - Nas aldeias, as músicas são transmitidas de forma oral, de geração em geração. Os cantos tem muitos sons anasalados e em geral são relacionados aos sons da natureza e seres da floresta . - Os indígenas brasileiros já foram chamados de muitos nomes, inclusive índios porque os europeus acreditavam que tinham chegado nas Indias, quando chegaram no Brasil. O termo mais correto, segundo os antropólogos (estudam a cultura de um povo) é o termo indígenas e cada povo indígena tem a sua própria cultura (língua, músicas, rituais). - Quando os europeus chegaram por aqui, tinham cerca de 5 milhões de indígenas. Em 2010, segundo uma pesquisa do IBGE, atualmente existem 230 povos indígenas (mais de 150 línguas, antes da colonização eram 1200) que somam 896917 pessoas. Algumas vivem em cidades, outras em áreas rurais. - Nomes de lugares que vieram do Tupi guarani: Ibirapuera, Anhangabaú, Ipanema, Piracicaba, Niterói, Paraná, Bertioga. Outras palavras: milho, oca, tambor, mandioca. Brincadeira: Jogo da Flecha (Fonte: Livro-Canto da Floresta) Antes de começar o jogo, você precisa selecionar nomes de diversas palavras indígenas que utilizamos, fazendo uma lista para que os alunos possam escolher os nomes que acharem mais interessantes. Vejam algumas citadas neste artigo ( Ibirapuera, Anhangabaú, Ipanema, Piracicaba, Niterói, Paraná, Bertioga. Outras palavras: molho, oca, tambor, mandioca.) O primeiro passo é mostrar o quadro aos alunos para que eles possam escolher um ou dois nomes. Começando a jogar O jogo se inicia com todos os participantes em roda. Uma pessoa ‘atira a flecha’ – isto é, faz o movimento com as mãos como se fosse atirar uma flecha -, falando o nome da palavra indígena escolhida e olhando, precisamente, para a pessoa que escolheu. Essa pessoa, que foi ‘flechada’, deve prosseguir da mesma maneira, isto é, ‘atirando a flecha imaginária’ e falando o nome da palavra indígena escolhida para outra pessoa. E o jogo segue. As pessoas têm que memorizar os nomes para não perder o tempo, pois o jogo tem que ser rápido e bem dinâmico. Quem se atrapalha ou esquece o nome, fica no centro da roda. Quando o participante é flechado pela segunda vez, ele deve usar o segundo nome escolhido, para ficar sempre alternando e ter uma maior diversidade de nomes. Mais curiosidades: - A música indígena é praticada até hoje , sendo constantemente praticada e renovada, como podemos ver neste link - CLIQUE AQUI CONCLUSÃO Fugir de estereótipos é fundamental no trabalho com a cultura indígena, como disse o maravilhoso educador H.J Koellreuter em uma palestra: “Trata-se de um tipo de educação musical que tem como tarefa transformar critérios e idéias artísticas em uma nova realidade, resultante de mudanças sociais. O humano, como objetivo da educação musical”. Quero te convidar a conhecer meu Instagram profissional, dentre outras midias sociais, onde compartilho dicas de professor para professor: Instagram: @debora.cantinhodamusica Meu site: www.cantinhodamusica.com.br Abraços musicais, Prof. Debora Munhoz Barboni

Toda criança é capaz de criar: Orff Schulwerk Carl Orff foi um professor, maestro , compositor, pensador alemão que faz parte da primeira geração dos grandes mestres da educação ativa, juntamente com Emille Jacques Dalcroze, Zoltán Kodály e Edgard Willems. Seus princípios pedagógicos influenciam fortemente, os educadores musicais do mundo inteiro. Para Orff, a música elementar oferece oportunidades para vivências significativas, contribuindo para o desenvolvimento da personalidade do indivíduo. Na prática, a música cantada, dançada e tocada pela criança , insere os elementos da linguagem, da música e do movimento entendidos como unidade, abordados de forma conjunta e acrescidos pela improvisação. "A música elementar nunca é apenas música. Está ligada a movimento, dança e fala e por isso é uma forma de música em que se deve participar, em que se envolve. As crianças geralmente não gostam de estudar, mas gostam de jogar. Se você tiver seus interesses no coração, você as permitirá aprender enquanto jogam"- Carl Orff Veja na prática , uma atividade que fiz com meus alunos, utilizando princípios desta abordagem maravilhosa. Etapas da experiência musical: 1. Para o processo ser divertido e prazeroso, as crianças primeiro ouviram uma história baseada na letra da canção . 2. Depois , exploramos juntos o pulso, ostinato e as frases , caminhando, batendo palmas ou com brincadeira de mão em dupla e pulando no final de cada frase (vivência corporal). 3. Então, substituímos os movimentos com o corpo, por lenços, stretch band e esferas para explorarmos os aspectos rítmicos já trabalhados anteriormente com sons do corpo e com a voz (brinquedo projetivo). 4. Por fim, tudo que já havia sido vivenciado através do corpo, gestos, movimentos, foram aplicados nos instrumentos. Desta forma, o contexto se torna rico de estímulos e divertido, onde facilmente a criança aplica no instrumento sem precisar de muito ensaio, e tudo isso , através da brincadeira, pois o contexto e o processo são tão importantes quanto conteúdo. Segue o link do vídeo com o resultado - CLIQUE AQUI Essa abordagem foi desenvolvida na Alemanha, pelo educador musical Carl Orff (1895-1982) com contribuições de seu amigo Gunild Keetman (1904-1990). Muitas experiências envolvem técnicas com imitação, utilizando ecos rítmicos, melódicos, ostinatos, chamado e resposta, cânones. Além do trabalho com a voz e com o movimento, a Abordagem Orff Schulwerk valoriza e incentiva o trabalho com os instrumentos musicais de percussão miúda (pandeiros, clavas, maracas, ganzás, caxixi, triângulos, tambores, etc) e instrumentos de percussão melódicos, como os xilofones, metalofones, glockenpiels, etc. Neste trabalho com instrumentos, o professor utiliza com seus alunos, os bordões, melodias pentatônicas e ostinatos. A utilização dos instrumentos vem associada a atividades com o corpo e a voz, para tornar o processo mais lúdico e significativo para as crianças, como podemos perceber assistindo o vídeo abaixo: Durante o período de sensibilização para os elementos musicais, as crianças são convidadas a criarem e improvisarem, utilizando por exemplo a escala pentatônica de C. Basta tirarmos as notas Fa e Si, que a criança já poderá criar pequenas melodias. Obviamente, quanto mais a criança tiver vivenciado os elementos musicais, mais interessantes poderão ser as frases musicais criadas, porém toda iniciativa de criação é valorizada, por mais simples que seja. Alguns princípios desta maravilhosa abordagem: - Orff Schuwerk significa dançar, tocar, falar, cantar através de vivências que envolvem exploração, improvisação, imitação e composição; - Utiliza-se muitas danças folclóricas tradicionais para estimular o movimento criativo; - A criança é vista como potente para criar; - Foco no fazer musical coletivo para o individual; - A utilização dos instrumentos está associada a atividades com a voz, com o corpo, pois segundo Orff, deve -se praticar a música de forma ativa, ligada ao movimento, dança, fala, do corpo para o instrumento; - Desde o princípio, as crianças já participam de atividades que valorizam as experiências envolvendo o fazer musical , através da imitação, improviso e a criação, de forma orientada e progressiva. O objetivo é promover a aprendizagem musical através da exploração, criação e participação ativa a partir dos elementos musicais vivenciados através da voz, do corpo e dos movimentos, começando de tarefas mais simples às mais complexas, de acordo com a faixa etária e vivência musical anterior dos alunos. As práticas musicais , todas as iniciativas e contribuições por parte das crianças são valorizadas. "Experiência primeiro. Então intelectualize"- Carl Orff Atualmente, a Associação Orff Brasil é referência de estudo e oferece diversas formações para educadores que se interessam em trabalhar com a proposta pedagógica de Orff. Para mais informações sobre a Associação Orff Brasil, CLIQUE AQUI Para saber mais sobre essa maravilhosa abordagem, CLIQUE AQUI Sobre as obras de Carl Orff - CLIQUE AQUI Quero te convidar a conhecer meu Instagram profissional, onde compartilho dicas de professor para professor: @debora.cantinhodamusica Abraços musicais, Prof. Debora Munhoz Barboni



