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Publicado em: 06/08/2016

Desenvolvimento da fala em crianças de 0 a 3 anos através da Música e Literatura

Nada é mais encantador e gratificante do que perceber que seu filho está se desenvolvendo. Cada aprendizagem nova, por menor que seja sempre traz alegria para os pais, que ansiosos, esperam por cada nova resposta aos estímulos oferecidos. Um dos momentos mais esperados do desenvolvimento da criança é a fala, pois desta forma ela pode comunicar seus pensamentos e emoções. Os três primeiros anos de vida são os mais intensos para o desenvolvimento da fala e da linguagem que pode ser também através de sons e gestos. Falar exige grande esforço mental por parte do cérebro e leva um tempo para que este esteja maduro o bastante para desenvolver a linguagem oral e gestual. Pesquisas e estudos científicos nos mostram que crianças que crescem em ambientes ricos em estímulos levam o cérebro a se desenvolver mais rapidamente. O cérebro é vulnerável a influências externas e atividades estimulantes podem produzir mudanças em sua estrutura. Segundo estes estudos, a experiência modifica o cérebro. Portanto o adulto tem a função de ser um facilitador de experiências. Obviamente, cada criança tem seu tempo e desenvolvimento próprio, e temos que respeitar essa lei da natureza. Os pais devem estar atento ás etapas normais de desenvolvimento, mas de modo geral, as primeiras palavras surgem entre o 10º e 15º mês. Depois disso, o vocabulário cresce muito rápido.  Cada etapa do desenvolvimento da oralidade está interligada, portanto, se perceber que seu filho completou seu primeiro aniversário e não produz balbucios (repetições de sílabas), procure ajuda profissional o mais rápido possível, pois nesta fase, é muito mais fácil intervir e ajudar a criança, pois a plasticidade cerebral é muito intensa (principalmente nos primeiros três anos de vida). Um aspecto importante que devemos saber, é que para desenvolver a linguagem oral, a criança precisa ter um motivo e a intenção de se comunicar. Logo, ela precisa de pessoas para interagir. O adulto precisa conhecer a criança o bastante para saber assuntos de seu interesse, e a partir destas constatações, criar situações que motivem a criança em desejar responder e dialogar. Uma das ferramentas mais poderosas para desenvolver a fala, é sem dúvida a música. As crianças geralmente sentem muito prazer com a música, seja cantando, ouvindo, dançando, tocando instrumentos musicais. Através das canções, a criança melhora a pronúncia e sua percepção auditiva, tanto para escutar como para diferenciar sons, o que auxiliará o desenvolvimento da oralidade.   Estratégias Práticas   Podemos utilizar a música em casa, para estimular o bebê a falar e isso pode começar bem cedo. No final do primeiro mês de vida, o bebê já começa a vocalizar (fazer barulhinhos e sons com a voz). Você pode interagir com ele conversando, cantando e usando sua voz para acalmá-lo quando ele estiver agitado. Que tal ensinar para seu filho uma canção que foi significativa na sua infância? Você pode começar a ensiná-lo segurando suas mãozinhas, cantando, balançando seus braçinhos de acordo com o pulso da canção. Depois de algumas vezes, inicie, mas pare em algum momento, dando oportunidade para que ele continue; favorecendo assim, o aumento de seu vocabulário. Não se esqueça que a canção deve ser curta e com temas do universo infantil. Acima de tudo, respeite o tempo da criança, se ela não corresponder às expectativas. Tudo leva tempo, inclusive o início da linguagem falada. O bebê precisa ouvir vozes de pessoas que se comuniquem com ele e que o tratem com amor, respeito e carinho para desenvolver a fala de forma natural. Por volta de 8 meses, o bebê, por provavelmente, já conseguir se sentar sem apoio, já tem outra visão de mundo. Tudo que produz sons chamam a atenção dos pequenos e os estimulam a interagir. Procure fazer sons do corpo para que ele observe. Enquanto troca sua fralda, você pode cantar, brincar de estalar a língua e outros sons da boca. Toque CDs com diferentes estilos musicais e perceba qual o estimula mais. Você pode também apresentar chocalhos, tamborzinhos para que ele explore e toque acompanhando uma canção. Nesta idade, aulas de musicalização infantil farão toda a diferença no desenvolvimento do seu filho, pois um professor de música irá preparar atividades musicais variadas de acordo com a faixa etária e oferecerá uma vivência prazerosa com as palavras através da música. Geralmente essas aulas são em grupo e um adulto pode participar. Muitos pais que participam das aulas, se sentem mais confiantes para interagirem com seus filhos em casa, pois aprendem formas mais interessantes para apresentarem uma canção, brincarem e contarem uma história, por exemplo. Através das brincadeiras, percebemos os interesses individuais da criança e seu nível cognitivo. É importante salientar que o desenvolvimento da linguagem está ligado ao pensamento. Conforme a criança vai crescendo e se desenvolvendo, ela vai criando a capacidade de diferenciar-se dos outros e dos objetos em geral. Isso é muito importante, pois ela terá ferramentas cognitivas para que queira interagir de forma intencional. Ela então irá dirigir comportamentos intencionais a outras pessoas e imitará tudo o que lhe chama a atenção. Fique atento ás vocalizações do bebê e imite, variando ligeiramente as sílabas que ele balbucia, fazendo sons mais longos e mais curtos. Continue cantando, mas agora faça os gestos das canções, que devem ser simples e curtas. Os gestos estabelecem a comunicação entre o som e o movimento. Algumas canções que podem ser utilizadas, são as canções folclóricas como: “A janelinha fecha quando está chovendo”, “Fui morar numa casinha”, “Borboletinha”, etc. Represente para ela certas ações que são descritas nas músicas e motive-a a imitar. Quando a criança é capaz de imitar o adulto, ela demonstraum grande desenvolvimento, tanto em sua memória, quanto na sua expressividade que são itens indispensáveis para o desenvolvimento da linguagem. Conte histórias de forma curta e objetiva, com temas do universo do bebê e retrate o ambiente sonoro da cena. Você pode imitar os sons dos personagens, cantar uma música que represente a cena, representar cada personagem através de um instrumento musical, enfim, use sua criatividade! De forma gradual, através destas atividades, serão estabelecidas as conexões cerebrais que relacionam as palavras com o objeto, desenvolvendo a imaginação, memória, além de introduzi-lo no convívio social. Outro marco importante, e que mostra o amadurecimento da criança pequena, é o conceito de permanência dos objetos. Quando um objeto desaparece de seu campo de visão, o bebê vai procurá-lo. Para ele agora, o mundo continua existindo independente de estarmos vendo as coisas. Você pode estimular essa fase com atividades simples, como esconder um objeto sonoro que o bebê demonstre interesse para que ele ache e procure. Invente brincadeiras de esconder, pois o estimulará a fazer representações de imagens de certos acontecimentos. Um grande progresso rumo à linguagem verbal. A partir do primeiro ano, principalmente, o bebê observa e não só repete no momento que a ação é feita, como é capaz de representar mentalmente as ações de modelos.  Parlendas que favoreçam a coordenação da palavra falada e dos gestos como “Janela, janelinha, porta e campainha”, faz com que o bebê se envolva com a brincadeira e imite. Nesta fase, compre livros de figuras e palavras, leia poemas e cante para seu filho. Ele certamente irá memorizar e repetir em outros momentos, exercitando sua oralidade com naturalidade. Você pode fazer perguntas durante a leitura, instigando respostas. Por volta dos 2 anos, a criança pode também contar sua própria história através de ilustrações. Caso ela pronuncie de forma errada, evite confrontá-la; apenas repita a frase inteira corretamente, para que ela escute a forma correta de pronunciar o que ela elaborou em sua mente. O importante é que ela sinta liberdade para fazer perguntas e encontrar respostas. Festeje suas respostas sempre. Atividades utilizando bonecos que falam e cantam com a criança variando timbres da voz são muito interessantes, pois atraem a atenção e o interesse pela interação verbal. Massagens nomeando a parte do corpo, utilizando música, também oferecem estimulo, um tempo de qualidade e afeto. Existem hoje no mercado, músicas específicas para o estímulo do bebê em suas várias fases e para cada rotina, como para hora de vestir, de dormir, de comer. São canções realizadas por profissionais de música que lidam com essa faixa etária diariamente e conhecem suas reais necessidades. Com o tempo (por volta de 3 anos e até um pouco antes), surge o interesse pelas brincadeiras de faz-de–conta, a capacidade de representar coisas ou situações não presentes. A criança naturalmente começa a imitar ações rotineiras, depois ações de pessoas próximas, e através destas brincadeiras, os pequenos expõem seus sentimentos, frustrações e vontades. É interessante notar como a evolução da brincadeira e da linguagem caminham juntas. Uma auxilia no desenvolvimento da outra. As famílias podem trazer bonecos, objetos, elementos diversos para dramatizar histórias como a “Linda Rosa Juvenil”, por exemplo. Depois, a criança pode dramatizar com os fantoches para os adultos. Dramatizando, a criança se expressa com a linguagem verbal, gestual e facial, tornando a atividade mais complexa e desafiadora, além de iniciar a aprendizagem de normas sociais, pois é necessário esperar sua vez para interagir conforme a história vai acontecendo. Enfim, existem muitas possibilidades para estimular a oralidade do seu filho de uma forma divertida. É necessário porém, disposição, muita pesquisa, paciência e organização para o preparo das atividades. A infância passa muito rápido e acompanhar o desenvolvimento de nossos filhos, é maravilhoso! Brincando, se divertindo e aprendendo, seu filho perceberá como é bom estar ao seu lado, e assim, fortes laços familiares serão criados e fortalecidos em meio a um ambiente de afeto, deixando memórias positivas e preciosas entre vocês. E isso definitivamente não tem preço! Prof. Débora Munhoz Barboni Prof. de Música www.cantinhodamusica.com.br


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Publicado em: 06/08/2016

Estimulando os bebês em casa com a música – Parte 2

Todos os pais e mães têm o desejo de melhorar o relacionamento com seu filho e ao mesmo tempo estimular seus talentos e potencialidades. A música é sem dúvida, uma solução fácil e disponível para desenvolver  habilidades musicais e outras áreas também. No artigo anterior (Estimulando bebês em casa através da música- Parte 1), falamos sobre a importância de utilizar fantoches e dedoches nas histórias cantadas, pois possibilita uma maior interação da criança com a proposta sugerida.  As primeiras canções são simples, tendo os gestos um papel muito importante para estabelecer a comunicação entre o som e o movimento. Os gestos com bebês, não devem ser muito variados em uma mesma canção, evitando assim muito acúmulo de informações. A canção “Fui morar numa casinha”, por exemplo, atrai a atenção das crianças, por ter elementos surpresas, contar uma historinha e ao mesmo tempo ter uma parte gestual que pode ser explorada. A matéria-prima da música é o som, portanto, trabalhar com histórias sonorizadas são sempre um meio eficiente e divertido de promover a aprendizagem. Escolha histórias com temas na qual é possível retratar o ambiente sonoro da cena. Histórias com animais estão entre as prediletas dos bebês e crianças da educação infantil, mas explore temáticas diferentes como sons do campo, da praia, dos meios de transportes, diversificando as fontes sonoras, utilizando objetos do dia-a-dia e instrumentos musicais. As histórias devem ser bem sucintas, porém com muita expressividade, para não ficar cansativo aos pequeninos. Os sons do ambiente, quando contextualizados em uma história, tornam a experiência mais significativa e prazerosa. Imite, por exemplo, o som do patinho quando este aparecer, cante uma música que você conheça que seja curtinha sobre “pato”, utilize gestos e expressões corporais, imite o som do pato nadando na lagoa, enfim, use a criatividade para revelar diferentes ambientes sonoros através da história, treinando assim a percepção auditiva e a imaginação da criança. São atividades simples, porém eficientes, que oportunizam uma exposição sonora que irá introduzi-lo no convívio social. Observe também as canções que seu filho mais gosta de cantar e pense em formas diferentes de brincar. Todos os momentos podem se tornar educativos enquanto interagimos com o bebê que, assimila tudo o que vivencia. Durante o banho, por exemplo, é importante agir de forma afetiva, conversando com a criança, nomeando as partes do corpo, cantando, brincando com ela, utilizando bonecos de borracha, livrinhos próprios para serem utilizados no banho, com o objetivo de estimular a linguagem, o contato físico/afetivo e a memória musical. Existem hoje no mercado, CDs com repertórios específicos para essa faixa etária. É muito interessante conversar com um professor de música e pedir indicação de bons materiais. Temos excelentes profissionais que compuseram jogos cantados para estimular os bebês e brincar com os pequeninos. Muitos destes CDs acompanham livro ensinando as brincadeiras, tornando as experiências cotidianas mais ricas e prazerosas.  Não se esqueça que o ambiente musical no qual ele estiver inserido desde sua infância de uma forma prazerosa, irá afetar diretamente seu gosto musical no futuro e o repertório que terá prazer em prestigiar na fase adulta. Portanto, uma ajuda profissional fará toda a diferença. Apresentar instrumentos de percussão (chocalhos pequenos e leves, clavas, tambores) para que os bebês possam explorar ou acompanhar as canções, também desenvolve a coordenação fina dos membros superiores, além de, estimular a fala e a percepção para os instrumentos musicais. Os mais adequados, são os da pequena percussão, pois são leves, tem um som curto e preciso, facilitando o trabalho do desenvolvimento da pulsação na música, que é o primeiro aspecto da rítmica a ser estimulada com crianças pequenas. Até os 2 anos principalmente, as crianças costumam levar tudo o que pegam na boca (fase oral), portanto, é muito importante que os instrumentos e objetos utilizados na atividade estejam limpos, não possam ser engolidos e ofereçam segurança ao bebê. Explore tocando com músicas de diferentes estilos, toque seguindo o pulso musical seguindo o andamento da canção, toque mais forte, mais fraco, em cima, embaixo, etc. Os momentos que antecedem à hora de dormir, devem ser momentos prazerosos e a música também é uma grande facilitadora deste processo. As canções de ninar podem ser usadas para relaxar, tocar e trazer proximidade, além de fazer com que a criança de sinta amparada e cuidada de acordo com a letra da canção. A mamãe pode, por exemplo, escolher músicas de ninar que tenham uma melodia agradável e uma letra apropriada. Canções como “Boi da cara preta”, “Bicho papão”, foram canções feitas pelas mucamas na época da escravidão e que cuidavam muitas vezes dos filhos dos seus senhores sem a menor afetividade. Por serem curtas e terem andamento lento, foram passando de geração em geração, mas existem canções bem mais apropriadas para estimularem o sono do seu bebê do que estas, que se formos analisar a letra, mais parecem canções de terror. Um exemplo outro exemplo de atividade simples que acalmam os bebês e que proporcionam momentos agradáveis entre mãe e filho, é a massagem relaxante com fundo musical. A mamãe pode acariciar o corpinho do bebê lentamente, nomeando cada parte, o beijando, etc., enquanto o prepara para a hora de dormir. O uso de texturas diferentes, como lã, bolinhas de algodão, bichinhos de látex, promovem um interesse especial no momento destinado às massagens, sempre conectadas à música. Pincéis com cerdas macias (pincéis de blush, por exemplo), quando passados em cima das sobrancelhas e ao redor do seu rostinho, o acalmam e o preparam para o sono. As famílias certamente se beneficiam trazendo a música, sempre que possível, ao convívio familiar. Através dela, você pode expressar seu amor, ensinar conteúdos de forma lúdica e estreitar ainda mais os laços familiares. A música é terapêutica e é um canal muito importante para entrar em contato com seu filho de forma natural, além de prepará-lo para o mundo, reforçando sua auto-estima, sua sensibilidade e percepção auditiva, criando um ambiente mais feliz e agradável. Um verdadeiro presente de amor!   Prof. Débora Munhoz Barboni Prof. de Música www.cantinhodamusica.com.br


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Publicado em: 06/08/2016

Estimulando os bebês em casa com a música – Parte 1

Seu filho gosta de ouvir música? Sente prazer em mexer o corpinho quando ouve uma canção? Pois saiba que é possível incentivar a musicalidade desde cedo e que isso só trará aspectos positivos para a vida de seu filho. As aulas de música em escolas especializadas são uma excelente opção e podem iniciar na vida dos pequenos geralmente, a partir de 8 meses, quando são capazes de sentar sozinhos. Os professores irão desenvolver atividades variadas e específicas à faixa etária, proporcionando muito estímulo e desenvolvimento aos pequeninos. Nas aulas, o pai ou a mãe também participam e podem vivenciar momentos preciosos do seu bebê interagindo com o grupo, além de aprender também, um repertório rico de canções e brincadeiras para praticar com seus filhos em casa. Mas se por algum motivo não for possível participar de aulas de música com especialistas, a mamãe pode estimular seu filho em casa com atividades que irão proporcionar prazer e estimular o desenvolvimento da criança. Escolha um local em sua casa que seja seguro, arejado e sempre trabalhe com materiais que não ofereçam perigo ao bebê. Separe um tempinho da rotina diária ou semanal para essas atividades. Planeje as brincadeiras musicais que serão realizadas com antecedência. É de suma importância utilizar canções com letra adequada e com temas do universo infantil. Tenha cuidado na escolha das gravações, arranjos e tessitura que serão utilizadas. Escolha canções curtas (canções folclóricas são muito úteis nestes momentos, como “Caranguejo não é peixe”, “Samba- lele”, “Borboletinha”, etc). Utilize fantoches e dedoches para representarem os personagens que são citados na canção. Por ser um material concreto (o fantoche), promove uma maior interação da criança com a proposta sugerida. Convém no entanto, depois de algumas vezes manuseando os fantoches, substituir o apoio visual pela expressão gestual e instigar a criança a reagir falando. Ao dispensar o recurso visual (fantoches), estamos estimulando a imaginação, além de promover a necessidade da comunicação verbal. Apesar de serem canções simples, são interessantes às crianças porque contam na sua grande maioria, pequenas historinhas e ajudam seu filho a entender o significado das palavras e a conexão com as ações. Por exemplo, a música “Palma, palma, palma” induz a criança a bater palmas, “Cabeça, ombro, joelho e pé” explora o esquema corporal. Canções que estimulam a percussão corporal (bater palmas, pés, sons com a boca, etc) movimentos de correr, pular, andar, marchar não apenas trarão momentos divertidos entre vocês, como também contribuirão para o fortalecimento da musculatura, desenvolvimento do senso rítmico, da percepção e da coordenação motora do seu filho. É muito importante estar atento às oportunidades de brincadeiras que surgem através das letras das canções. Muitas solicitam que mostrem partes do corpo, mandem beijos, abracem, como por exemplo, a música “Sai piaba” (folclore). É uma canção curta, simples, onde a letra sugere o movimento que deve ser feito, oportunizando momentos de afetividade entre pais e filhos, pois termina com um gostoso abraço. A música é uma ferramenta muito eficiente para ensinarmos qualquer tipo de informações, como: números, cores, comportamentos como guardar os brinquedos, cumprimentar as pessoas, passar o brinquedo para o colega, etc. Temos à disposição músicas especificas no ensino de conteúdos e regras comportamentais. Pesquisa, disposição, disciplina e planejamento são essenciais para que as atividades musicais sejam eficientes em casa. Trabalhar com rimas, parlendas e brincadeiras infantis com os bebês são atividades indispensáveis, pois possibilita que a criança tenha contato com a linguagem de forma lúdica e prazerosa. Um exemplo é a parlenda que brinca com os dedinhos (Dedo mindinho, seu vizinho, maior de todos, fura bolo, cata piolho...) que conta os dedinhos e que termina tocando o bebê e fazendo cócegas. Os pequenos demonstram entusiasmo com atividades assim. Conte a história contada pela música antes de cantá-la e crie efeitos sonoros para enfatizar alguns momentos. Crie gestos para fazer durante a  canção. A música “A Dona Aranha subiu pela parede”, pode se tornar uma brincadeira divertida, quando o adulto pega o braçinho da criança e sobe com os dedos como se fosse à aranha.  Essa mesma canção pode ser sonorizada com instrumentos, balançando o pandeiro para representar o sol, tocando o pau-de-chuva para representar a chuva. Brincadeiras de colo, como “Upa, upá cavalinho” são uma das brincadeiras favoritas dos bebês. O adulto pode cantar variando a velocidade da canção, ora mais rápida, ora mais devagar, para que brincando a criança perceba diferentes andamentos. Canções que brinquem de esconder e achar o bebê também estão entre as brincadeiras prediletas. Atividades em duplas, como serra-serra serrador, também são muito interessantes, pois fazem com que a criança vivencie a pulsação da música e ao mesmo tempo interagem de mãos dadas com quem está brincando com ela. São atividades simples e que atraem até os bebês mais pequeninos. Além do repertório folclórico, atualmente temos uma infinidade de CDs produzidos por professores de música e compositores muito competentes, que muitas vezes lidam com esta faixa etária diariamente e fazem músicas especificas para interação entre pais e filhos. Pesquise, converse com um professor de música pedindo indicação de bons materiais e selecione um repertório de qualidade para a educação musical do seu filho. Dvds com ênfase em música são muito didáticos, mas se a intenção é também desenvolver o vínculo afetivo entre você e seu filho, é importante que você assista com ele e enfoque alguns pontos que achar interessante no vídeo. Cantar, dançar, brincar, é só começar! O mais importante é proporcionar a você e seu filho, momentos de prazer e diversão.  Faça isso por ele e por você mesmo. Desta forma ele vai perceber como é divertido cantar e estar com você, e naturalmente, laços afetivos recheados de boas lembranças serão construídos, de uma forma natural e eficiente, no conforto da sua casa. Não percam a continuação deste artigo, com mais dicas de como você poderá deixar a rotina do seu filho ainda mais divertida e cheia de descobertas. Prof. Débora Munhoz Barboni Prof. de Música www.cantinhodamusica.com.br


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Publicado em: 06/08/2016

11 razões para as famílias investirem na educação musical de seus filhos, desde cedo

Foi-se o tempo em que brincar com música era considerada apenas uma forma de se divertir e se sentir bem. Com estudos e pesquisas comprovadas pela Neurociência (conjunto de ciências que estudam como aprendemos e nos desenvolvemos), atualmente temos conhecimento que estudar música desde pequeno pode fazer muita diferença no desenvolvimento integral da criança a longo prazo. Vejam 11 razões para famílias investirem na educação musical de seus filhos o mais rápido possível: 1. A música ajuda no desenvolvimento neurológico da criança Uma pesquisa realizada pela Universidade de Vermont nos EUA, constatou depois de analisar tomografias de 232 crianças entre 6 e 18 anos, que as crianças que estudavam música desde a infância apresentavam ganhos positivos e duradouros em relação ao desenvolvimento cerebral. Os estudos afirmaram que estudar música melhora as funções executivas do cérebro, responsáveis por habilidades como memória, controle da atenção, organização e planejamento do futuro. Isso acontece porque praticar música, como tocar um instrumento musical, exige foco e disciplina, além de utilizar a coordenação das mãos, senso rítmico, estimulo visual e auditivo. 2. O aprendizado musical modifica fisicamente o cérebro, principalmente na primeira infância (0 a 6 anos) e os ganhos se mantém por toda a vida Com os estudos avançados da Neurociência, hoje temos informações seguras que o período entre 0 e 6 anos é de extrema importância para o desenvolvimento infantil. É a fase de estruturação do Sistema Nervoso, onde comportamentos são aprendidos e consolidados. Em uma entrevista à Revista Pais e Filhos, a neurocientista Elvira Souza Lima explica: “Música é a atividade artística mais completa. Pode ser um instrumento, palmas marcando um ritmo, um canto ou uma dança, a música oferece um grande impacto no desenvolvimento e prepara o cérebro para executar diferentes funções. A música é campeã em ativar redes neuronais no cérebro. Uma criança que começa antes dos 7 anos a estudar música tem maiores possibilidades de os lados esquerdo e direito do cérebro se comunicarem melhor, desenvolvendo a atividade do pensamento 3. Todos podem desenvolver a inteligência musical Howard Gardner, professor da Faculdade de Harvard, ganhador de diversos prêmios, afirma que o que leva as pessoas a desenvolverem a inteligência (inclusive a musical) é: O ambiente que vivem, experiências significativas que proporcionem a vontade de praticar, a educação e as oportunidades que surgem ao longo da vida. Gardner afirma que todo individuo nasce com um vasto potencial de inteligências, mas que estas só vão aflorar, se forem estimuladas e praticadas. Todos podem desenvolver a inteligência musical se praticarem. 4. As experiências musicais na infância ajudam a controlar melhor o corpo e a desenvolver a expressividade e a coordenação rítmica Desde uma brincadeira de roda, ou tocar um instrumento musical, nas aulas de música, o cérebro é desafiado a utilizar diversas coordenações ao mesmo tempo (cantar/dançar, cantar/tocar/dançar, dançar/tocar, etc.) Essas informações são assimiladas pelo cérebro através dos sentidos, colaborando de forma significativa nas aquisições linguísticas, sociais e cognitivas, lembrando que todos os aspectos do desenvolvimento (motor, intelectual e afetivo) estão interligados e um exerce influência sobre o outro. A neurocientista Viviane Louro afirma em seu livro “Fundamentos da aprendizagem musical” que a música requisita funções perceptivas, cognitivas e executivas e mais o aparato psicoemocional exigido pela arte, auxiliando do desenvolvimento das estruturas cerebrais, o que automaticamente educa os movimentos do corpo. 5. A música é uma linguagem naturalmente atraente para a criança A música desenvolve diversas habilidades, porque ela é interessante para o bebê desde sempre. Estudos mostram que quando o bebê nasce ele já foi estimulado através dos sons (dentro da barriga da mãe) e das pessoas que cuidam dele (depois do nascimento), que geralmente brincam com ele utilizando a música. Desde muito cedo o bebê cria memórias positivas com essa linguagem. As aulas de musicalização infantil são muito úteis na primeira infância, pois unem duas ferramentas muito significativas para a criança: canções e brincadeiras; ou seja, através de histórias sonorizadas, brincadeiras de roda, brincadeiras de mãos, tocando ou construindo instrumentos musicais, etc, a criança interage em um ambiente de sensibilização, reflexão e prática musical e vai desenvolvendo habilidades que irão auxiliá-la em seu desenvolvimento integral, como desinibição, maior expressividade, desenvolvimento psicomotor mais consolidado, maior criatividade, etc, além de vivenciar os elementos musicais de forma prazerosa, o que irá facilitará e muito a aprendizagem de um instrumento musical, caso surja esse interesse por parte dela no futuro. 6. Os estilos musicais que escutamos durante nossa vida, tendo experiências positivas, fazem toda a diferença no nosso gosto musical na fase adulta A Neurocientista Suzana Herculano-Houzel afirmou em uma entrevista que o repertório musical de escuta de uma pessoa é desenvolvido ao longo de sua vida de acordo com o meio social que está inserida e pelas experiências significativas que teve com certos estilos musicais. Ou seja, se a pessoa adulta gosta de música erudita (clássica), provavelmente ela teve contato com este repertório em diversos momentos prazerosos de sua vida, que a levaram a ter memórias positivas em relação a este estilo musical. 7. A música é interdisciplinar A música é uma linguagem matemática, mas ao mesmo tempo afetiva sempre inserida em um contexto social. Por ser tão poderosa e influente, através dela podemos aprender qualquer conteúdo, pois é uma linguagem que traz a motivação necessária para aprender. Por isso é tão utilizada em diversas rotinas nas escolas de Educação Infantil, além de ser utilizada também para trabalhar tabuada, inglês, etc. 8. Praticar música ensina a importância da disciplina. Para tocar bem um instrumento musical, é necessário disciplina. É necessário se organizar para praticar e melhorar suas habilidades no instrumento. A criança de um modo geral deseja resultados imediatos e, ensiná-las a persistir, a não desistir quando surgem os desafios de tocar o repertório musical, são treinos importantes para o ser humano e para sua educação global. Portanto, além de desenvolver suas habilidades musicais, a criança aprende o quanto é importante praticar para melhorar em qualquer área de sua vida, inclusive a musical. 9. A música melhora a autoestima e o autoconhecimento da criança Nas aulas de musicalização, as atividades musicais são coletivas e favorecem a socialização e o desenvolvimento emocional da criança. Mais tarde, caso a criança aprenda a tocar um instrumento musical, ela aprenderá desde cedo à importância da prática, do foco, da perseverança e da disciplina para melhorar, além de enfrentar o medo de errar e lidar com a dificuldade. Porém, para que ela possa usufruir destes benefícios, ela precisa ter o apoio e a paciência dos pais durante o processo, que devem ter o papel de incentivadores, que valorizam a prática musical e gastam tempo ouvindo seus filhos tocarem o instrumento Quando a criança mostra o repertório musical que está aprendendo, sua autoestima aumenta e isso contribuirá para que ela tenha mais confiança para persistir perante outros desafios que terá em sua vida (pois associa a conquista deste, ao sucesso dos demais desafios que virão). 10. A música desenvolve o vínculo afetivo entre aqueles que juntos a praticam A música na infância sempre vem acompanhada de momentos afetivos, sejam brincadeiras cantadas envolvendo mãos, toque, roda, tocar e cantar juntos, ou seja, atividades que fazem com que as pessoas interajam entre si de uma maneira divertida. Cada pessoa traz consigo uma cultura musical que aprendeu com sua família, na escola, com amigos, com pessoas que são importantes na vida dele. Essas canções passam de geração em geração, porque ficam na memória pelo fato de ter qualidade afetiva e grande carga emocional. As atividades coletivas musicais entre a família, por exemplo, nos deixam memórias positivas e marcantes, por isso devem ser estimuladas e praticadas. 11. A música traz benefícios a longo prazo A música pode fortalecer áreas cerebrais importantes nos primeiros anos de vida, quando a neuroplasticidade (capacidade do cérebro de modificar sua estrutura e função através de experiências anteriores) é maior, mas é preciso salientar que a plasticidade continua na fase adulta. Nunca é tarde para praticar música. Ao aprender a tocar um instrumento musical, por exemplo, estamos exercitando nossas habilidades mentais, refinando nossa capacidade de ouvir e desenvolvendo o controle motor fino, o que ajudará na firmeza de equilíbrio e na crescer em mobilidade. Ou seja, desenvolvendo essa nova habilidade, programaremos nosso cérebro para envelhecer em melhores condições. Não é à toa que hoje existe a Lei 11.769, que obriga todas as escolas ofereceram aula de música para as crianças. Os benefícios são gigantescos. Seus filhos merecem crescer em um ambiente onde a música seja valorizada. Além de diversas memórias positivas que ele terá, todo seu desenvolvimento será beneficiado. Dessa forma, nossos filhos poderão usar seu tempo com mais qualidade e utilizarão a música como amiga e companheira, nos momentos difíceis e alegres da vida.   Prof. Débora Munhoz Barboni Prof. de Música www.cantinhodamusica.com.br


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