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Quais critérios devemos levar em conta na escolha de repertório para nossas aulas?

Publicado em: 11/08/2021




Quais critérios devemos levar em conta na escolha de repertório para nossas aulas?

 
Essa é uma pergunta que muitos professores me fazem, e por isso resolvi escrever este artigo.
Saber escolher um repertório a curto, médio e longo prazo, perceber o que mais funciona para cada faixa etária e para os seus alunos, saber adaptar, arranjar e até mesmo compor canções, são práticas recorrentes do professor de música que está na sala de aula.
 

Algumas perguntas norteadoras na escolha do repertório
 
Qual a faixa etária dos alunos? Que temas são interessantes para eles? Quais objetivos de aprendizagem quero trabalhar e quais canções, músicas que podem me ajudar a tornar este contexto, este caminho para aprendizagem, mais rico, funcional e lúdico?

É importante levar em conta a tessitura vocal da criança (de maneira geral localizada entre a nota Dó 3 e Fá 4). A música “Como é grande o meu amor por você” de Roberto Carlos é linda, mas o tom escolhido pelo cantor possui uma tonalidade muito grave para uma criança cantar. Nestes momentos, é melhor que o professor faça uma adaptação, mude o tom, para que fique mais confortável para uma criança cantar, e seus ouvintes a ouvirem. O repertório precisa favorecer e ajudar a viabilizar o desenvolvimento vocal infantil. Respeitar a tessitura vocal infantil é muito importante! Por exemplo, muitas vezes, subir ½ tom faz toda a diferença para acomodar com naturalidade a voz infantil.

O texto também deve ser apropriado para a faixa etária, com músicas onde a criança possa brincar. Isso torna o processo mais divertido, dinâmico, e incentiva a criança a querer repetir a música. Sabemos que a repetição é fundamental para a aprendizagem, por isso, alie este repertório com técnicas de musicalização, expressão corporal e brincadeiras musicais.

Antes de mostrar a música para seus alunos, verifique se o vocabulário é adequado, acessível para a faixa etária de seus alunos (nada muito fácil, nem muito difícil). Analise os acentos fonéticos em relação à acentuação musical (se estão corretos), afinal o que levamos de repertório irá contribuir para a formação do gosto musical e a acuidade auditiva dos nossos alunos.

É importante o professor estudar o repertório que irá apresentar para as crianças. Ao escolher a música, cante várias vezes, observando o fraseado, a melodia, a letra e depois a interpretação. De preferência, decore a letra da música! Estude o conteúdo do texto. Quando o professor está seguro sobre o que vai ensinar, tudo fica mais fácil.

Na sala de aula, os repertórios mais utilizados são:
 
- Canções pedagógicas
- Músicas de outras culturas
- Músicas do folclore
- Músicas brasileiras
- Músicas eruditas
- Histórias cantadas / sonorizadas
- Parlendas, textos rítmicos, trava-línguas
- Trabalho a vozes e cânones (crianças mais velhas)
- Capella
 
Além de um bom repertório, o professor precisa sempre ter em mente os objetivos de aprendizagem dentro do currículo. Isso ajuda a trazer clareza e intencionalidade nas ações, de acordo com as necessidades e interesses dos alunos.

Por exemplo, muitas vezes o objetivo do repertório é performático, envolve uma apresentação escolar. Outras vezes o objetivo é pedagógico, trabalhar conteúdos específicos. Outras vezes são determinados pela instituição a qual pertence. Exemplo: Hino do Colégio.

Outro ponto fundamental, além da faixa etária é a vivência musical dos alunos. São iniciantes ou experientes? A partir destas informações, o professor escolherá as músicas e atividades pertinentes, com o grau de dificuldade que irá despertar o gosto dos alunos pela atividade. O professor deve levar um repertório diferente do que a criança já ouve normalmente em casa, para ampliar seu repertório. É importante variar os estilos e gêneros musicais que vamos apresentar!

A criança que cresce em um ambiente musical, que canta em grupo, desenvolve sua percepção auditiva e afinação, podendo ampliar sua extensão vocal. Desenvolverá sua dicção, precisão rítmica, sua criatividade e expressão corporal, principalmente se as aulas oferecerem oportunidades para os alunos terem seus direitos de aprendizagem respeitados. Ou seja, atividades onde o aluno poderá explorar, participar, brincar, conviver, conhecer-se, expressar-se. Todos podem desenvolver a inteligência musical, basta um bom método, repetição, paciência com o processo e treino.
 
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Não é à toa que o mestre Villa Lobos dizia: “Um povo que canta é um povo feliz”
 

Abraços musicais,

Prof. Debora Munhoz Barboni

 




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